BRASIL ECONÔMICO – 04/07/2014 

Depois da aquisição das Casas Bahia pelo Grupo Pão de Açúcar, Michael Klein, agora à frente do Grupo CB, expande portfólio imobiliário da família com a compra de 36 imóveis comerciais da BR Properties. E planeja voos mais longos

Depois de décadas consolidando a expansão da rede varejista Casas Bahia, fundada por seu pai, Samuel Klein, vendida ao Grupo Pão de Açúcar em meados de 2010, Michael Klein hoje preside e administra empresas e ativos da família Klein que não fizeram parte do pacote negociado com o GPA, por meio do Grupo CB (Capital Brasileiro), com sede em São Caetano do Sul (SP). O principal negócio da companhia são os ativos imobiliários, que começaram a ser adquiridos nos anos 60 pelo fundador da rede varejista para a instalação das lojas da Casas Bahia e dos Centros de Distribuição que davam suporte à sua logística própria.
Agora, o Grupo dá os primeiros passos para se expandir no campo da aviação executiva, com a futura criação da CBAir, empresa de táxi aéreo que vai atender a grandes empresários e corporações. O pedido de funcionamento para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já foi encaminhado. Com isso, Michael Klein deve transformar sua paixão por aviação em negócio.
Enquanto a CBAir não sai do papel, o faturamento do Grupo CB vem, em grande parte, dos negócios imobiliários. Com faturamento de R$ 240 milhões em 2013, a empresa acaba de fechar mais uma aquisição nessa área, de mais 36 imóveis comerciais em vários estados brasileiros, que antes pertenciam à BR Properties, que vem se desfazendo de ativos. O valor da transação foi de R$ 606,6 milhões. Com esta nova compra, o Grupo CB passa a ter 420 empreendimentos na área imobiliária, todos comerciais e alugados não só para as filiais do Grupo Pão de Açúcar e demais empresas da Via Varejo (Ponto Frio e a própria Casas Bahia), como para outras redes varejistas.
“Todas as lojas que estavam alugadas terão seus contratos mantidos. Muitos vencem em 2017, 2021. O que deixamos claro é que o cotista mudou, mas vamos manter os contratos em vigor. São alugueis para redes de grande porte, como C&A, em shoppings e lojas de rua, que somam 15 das 36 propriedades adquiridas. Queremos sempre diversificar o portfólio. Dos 420 imóveis que temos, 90% são de lojas de varejo, incluindo o Pão de Açúcar”, diz Michael Klein.
Segundo ele, com a aquisição, a empresa vai ter um acréscimo de R$ 60 milhões em seu faturamento, em um ano. Ele adiantou que está fechando a compra de mais imóveis com outros proprietários e corporações de ativos comerciais no Rio e em outros estados.
“Estamos sempre atentos a novas oportunidades. Ter ativos em cidades como Rio e São Paulo é, sem dúvida, importante. Mas nosso foco também é o Nordeste, onde estamos observando o crescimento da região”, diz.
A família de Klein continua com 27% de participação acionária na Via Varejo. Pelo acordo firmado com os acionistas, ele não pode ser dono de uma rede varejista e se tornar um concorrente no mercado por pelo menos cinco anos. Três anos e meio se passaram. Mas, segundo ele, não está nos seus planos, e nem do Grupo CB, ter uma nova empresa nesse setor.
“Não quero mais vender fogões, geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Nosso investimento agora é em aluguel de lojas e galpões logísticos”.

 

Com CBAir, meta do Grupo CB é atender ao mercado VIP na aviação executiva
Companhia já recebeu o primeiro registro de funcionamento da Anac. Frota terá aviões Embraer

De olho no mercado de aviação executiva, a CBAir, nova empresa do Grupo CB, já tem registro na Junta Comercial de São Paulo. A sede da companhia será em São Caetano do Sul, onde se concentram os outros negócios da empresa. Segundo Michael Klein, presidente do Grupo CB, a expectativa é de que a CBAir comece a operar já no segundo semestre desse ano.
“Nosso objetivo é operar na capital de São Paulo, em Sorocaba e, por meio de parcerias, em outros estados brasileiros. O serviço da CBAir é de táxi aéreo VIP. Um mercado que acreditamos que tem tudo para crescer no Brasil e que ainda não é bem atendido. Mesmo antes de existir, já estamos sendo procurados por empre-
sas interessadas no nosso modelo de negócio, que vai inclui também a administração de aeronaves de terceiros”, diz Klein.
Ele adiantou que a empresa já construiu um hangar de oito mil metros quadrados em Sorocaba (SP) e tem outro no Campo de Marte, na capital paulista. Para que a CBAir se torne uma empresa apta para operações de voo, será preciso antes a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De acordo com a agência reguladora, no momento, a CB Air já deu o primeiro passo do processo para existir, ao obter um documento que se chama “funcionamento jurídico”. Isso significa que a empresa já está registrada na Anac como companhia de táxi-aéreo, mas, ainda não tem autorização para operar, pois precisa passar pelas demais fases. O processo para conclusão dos procedimentos da CB Air, e, por fim, a liberação da empresa para operações, está em andamento e depende da empresa também, informou o órgão.
Klein disse que o plano de frota da empresa ainda não está definido. Como um apaixonado por aviação, ele adiantou que a CBAir será composta de aviões dos modelos Phenom 300, Legacy e Citation, da fabricante brasileira Embraer. Sobre a possibilidade de expandir a atuação no setor aéreo construindo um aeroporto próprio, o empresário garantiu que esse não é o plano.
“Nossa intenção é estar presente com nossos serviços nos principais aeroportos e nos empreendimentos regionais que estão nos planos do governo”