O ESTADO DE S. PAULO – 04/07/2014

O empresário Michael Klein, filho do fundador da Casas Bahia, está se consolidando como um dos maiores gestores imobiliários do País. Ontem, ele confirmou a compra, por R$ 418,5 milhões, de um fundo que administra 36 propriedades, em 11 Estados, atingindo um patrimônio de R$ 4,6 bilhões. O valor dos ativos que estão sob sua administração já supera os R$ 4,4 bilhões da São Carlos, uma das maiores empresas do ramo, controlada pelos donos da Ambev.
Esses imóveis foram adquiridos da companhia que é líder em gestão de empreendimentos comerciais no País, a BR Properties, controlada pelo BTG Pactuai, de André Esteves. O banco também administrava, como instituição financeira, o fundo imobiliário que foi negociado com Klein.
Dos 36 imóveis que integram o fundo, 26 são lojas da rede de moda C&A, além do prédio que abriga a sede da varejista em Barueri (SP). Com a compra, a empresa imobiliária de Michael Klein adiciona 118 mil m2 de área construída a um total de 2 milhões de m2. No ano passado, ela faturou R$ 240 milhões. “A aquisição deste Fundo faz parte da nossa estratégia de estar presente nas cinco regiões do País com imóveis bem localizados que,alugados a empresas consolidadas no mercado, nos tragam boa rentabilidade”, disse o empresário.
A empresa tem entre seus ativos galpões industriais e escritórios, mas seu principal interesse está no varejo, onde o negócio começou, há dois anos. Do total de 420 imóveis administrados pelo Grupo CB, que concentra os negócios da família, mais de 300 são lojas alugadas para Casas Bahia e Ponto Frio – bandeiras da Via Varejo, companhia da qual Klein é sócio. Em dezembro, ele vendeu parte de suas ações na empresa e levantou cerca de R$ 1,5 bilhão – o que o deixou com bala na agulha para impulsionar o negócio imobiliário. A meta é atingir um patrimônio de R$ 5 bilhões até dezembro, com a conclusão de mais duas ou três aquisições que estão em andamento.
“Por enquanto, não o vemos como um concorrente,já que Michael Klein parece estar mais interessado na renda dos imóveis do que em gerir esses ativos para venda no futuro”, diz Cláudio Bruni, presidente da BR Properties. “Mas ele é um camarada competente e nada impede que se torne um competidor importante.”
Atualmente com R$ 10 bilhões em ativos, a BR Properties vem, nos últimos meses, se desfazendo de parte do seu portfólio. Em junho, a empresa concluiu a venda de galpões industriais para o grupo Global Logistic Properties Limited, de Cingapura, por R$ 2,35 bilhões, numa operação que pode chegar a R$3, 18 bilhões. Só com essa venda, a empresa distribuiu R$ 1,63 bilhão em dividendos aos acionistas. “Não temos uma relação emocional com os ativos. O queremos é resultado”, diz Bruni.
Mercado. A venda de cotas de fundo de investimento imobiliário da BR Properties foi considerada positiva por analistas do setor de construção do Bank of America Merrill Lynch (BoFA) e do Credit Suisse. Os analistas Guilherme Vilazante e Daniel Gasparete, do BoFA, consideram que a venda está em linha com a estratégia da companhia de reciclagem de ativos. Com isso, a expectativa é que a empresa mantenha sua política de dividendos como principal foco de destinação dos recursos obtidos com a venda dos ativos. Em relatório, os analistas reafirmaram a recomendação de compra para os papéis da BR Properties.
Já os analistas Nicole Hiraka-wa, Luis Stacchini e Vanessa Quiroga, do Credit Suisse, afirmaram que o negócio foi positivo para reduzir o endividamento. Eles calculam que a alavancagem (relação entre dívida e o Ebitda ajustado) caia para 5,5 vezes ante a estimativa inicial de 6 vezes, já considerando a distribuição adicional de dividendos de R$ 1,6 bilhão anunciada em junho. A negociação firmada entre BR Properties e a CB, de Klein, está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).