O Estado de S.Paulo – 23 de agosto de 2016

O empresário Michael Klein anunciou nesta segunda-feira, 22, a compra de uma das principais empresas nacionais de aviação executiva, a Global Aviation, dona das marcas Global Táxi Aéreo, Pássaro Azul, Reali e SSR. O negócio será arrematado pela CB Air, braço da holding CB, que reúne os negócios de imóveis, aviação e concessionária de carros do empresário. A companhia foi criada após a venda da varejista Casas Bahia, fundada pelo patriarca Samuel Klein, para o grupo francês Casino.

A Global Aviation, que hoje fatura R$ 128 milhões, mas carrega forte endividamento, será arrematada por um valor máximo de R$ 70 milhões. O valor inicial do negócio é de R$ 38 milhões, com um adicional de até R$ 32 milhões em passivos.

Com a aquisição, Michael Klein terá acesso a uma carteira de clientes maior e mais bem estruturada, que poderá ser atendida pela frota montada pelo empresário, que é hoje avaliada em US$ 220 milhões.

Ao incorporar a Global Aviation, a CB – que ainda é uma startup, que deve faturar R$ 30 milhões em 2016 – pretende dar um salto no ano que vem. Com a conclusão da aquisição somada à expectativa de crescimento orgânico, o braço de aviação de Klein – agora CB Global Air – pretende gerar receita de R$ 200 milhões em 2017.

Projeto. As ambições de Klein se concentram principalmente no atendimento a empresas, tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, entre as 12 aeronaves da frota da CB, destaca-se um Gulfstream G550, jato executivo de alcance continental, que tem capacidade de voar de São Paulo a Moscou, sem escalas, além de helicópteros e de aeronaves de portes variados para uso em território brasileiro.

Com uma frota mais antiga, a contribuição da Global Aviation, que tem 20 anos de atuação, viria principalmente dos setores de locação de hangares – segmento em que a companhia já tem 80 clientes –, gerenciamento aeroportuário e assessoria a clientes na compra e venda de aviões e helicópteros. As duas empresas esperam poder começar a captar sinergias assim que o negócio receber as autorizações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Para a Global Aviation, explicou o presidente da empresa, Décio Galvão, a união com a CB Air representa a conclusão de um processo de reestruturação que começou em julho de 2015, quando o executivo assumiu o cargo.
Com a redução das operações, a Global conseguiu voltar a gerar caixa, mas ainda carrega o endividamento anterior, gerado principalmente pela alta do dólar e dos juros bancários.

Embora o mercado de aviação executiva venha sofrendo com a crise, Klein pretende usar o fato de ter capital próprio para investir em seu favor. Segundo o empresário, a grande maioria dos investimentos não deve ser feita via financiamentos, pois “o dinheiro hoje está muito caro no Brasil”.

Na abertura de capital da Via Varejo (criada pela junção de Casas Bahia e Ponto Frio, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar), a família Klein arrecadou cerca de R$ 1,5 bilhão, sendo que metade dessa cifra ficou com Michael. A família continua sócia da Via Varejo (com cerca de 27,5% do capital).

‘Sou mais conservador do que agressivo’
Empresário pretende elevar faturamento de serviços de aviação executiva para R$ 200 milhões em 2017

Após anunciar a compra da Global Aviaton pela CB Air, por R$ 38 milhões – valor que pode chegar a R$ 70 milhões –, Michael Klein afirmou ao Estado que pretende elevar o faturamento de sua divisão de serviços em aviação executiva de R$ 30 milhões, neste ano, para R$ 200 milhões, em 2017. Hoje, a holding do empresário, a CB, aposta em três segmentos: imóveis (a maioria locada para a Via Varejo), carros de luxo (com uma concessionária da Mercedes Benz) e aviação (a CB Air).

Confiante na retomada da economia, Klein também garantiu que, apesar de ter acabado de comprar uma companhia, suas ações são pautadas pela cautela: “Sou mais conservador do que agressivo.”

Apesar deste investimento em aviação, a CB ainda é principalmente um negócio de imóveis?

Sim, esse patrimônio já tem uma receita consolidada de muitos anos e deve render mais de R$ 300 milhões em 2016. A maior parte está alugados para a Via Varejo (maior rede de eletroeletrônicos).

A CB considera a entrada em um novo setor, talvez do varejo?
Tenho um acordo de não competição. Então, não posso vender os mesmos produtos de Casas Bahia, Ponto Frio e Pão de Açúcar. Como eles não vendem carros, eu posso ter concessionárias de veículos, até de marcas diferentes.

E a informação de que o sr. tinha a intenção de comprar o controle da Via Varejo?
Isso não ocorreu em momento algum. O Casino não quer isso, mas quer que eu esteja próximo do conselho, para orientar e fiscalizar. Uma sugestão minha que foi bem aceita: a volta das vendas pela internet para a Via Varejo.

O sr. se refere à união de Via Varejo e CNova no Brasil (anunciada no início do mês)?
Sim, era necessário porque existe grande sinergia entre a venda física e a venda online. Uma delas é a venda pela internet e a retirada na loja, o que não poderia ser feito porque as duas operações tinham CNPJs diferentes. Do jeito que estava, se duas pessoas, que moram no mesmo prédio, comprassem uma pela internet e a outra na loja, dois caminhões diferentes fariam a entrega. Agora, vai ser usado só um ativo para os dois públicos.

O sr. está fazendo investimentos em um momento de baixa da economia. Qual é a vantagem de fazer este movimento agora?
Estou aproveitando o momento, pois o preço não está inflacionado. Acho que agora se paga o preço justo, sem ágio, sem gastar mais do que um negócio vale.

O sr. está otimista com a retomada da economia?
Com ou sem crise, a questão é que a empresa precisa ser bem administrada. Se a crise vai reduzir a receita, é preciso buscar alguma sinergia, achar outra empresa (para uma associação), para cortar a despesa no todo. No caso da CB e da Global, vamos formar a CB Global Air. E somos complementares: temos as nossas aeronaves e eles têm tradição em prestação de serviços e no relacionamento com o cliente.

Qual sua estratégia para investir?
Somos uma empresa capitalizada e gostamos de investir em negócios. Eu, por exemplo, invisto somente em imóveis que tenham renda garantida, não construo para depois ver para quem alugar. Sou mais conservador do que agressivo.