O Globo – 23 de agosto de 2016

A CB Air, empresa de aviação executiva do empresário Michael Klein, informou nesta segunda-feira que adquiriu por R$ 38 milhões, mais dívidas, a Global Aviation, que inclui as empresas Global Táxi Aéreo, Pássaro Azul, Reali Táxi Aéreo e SSR Assessoria e Prestação de Serviços. As dívidas da Global Aviation ainda estão sendo apuradas, informou a CB Air, mas Klein estima que o valor do negócio não deverá ultrapassar os R$ 70 milhões. A aquisição está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com a aquisição, a CB Air passará a ter uma frota de 32 aeronaves, entre jatos e helicópteros. No total, serão dez hangares (sendo dois no Campo de Marte, três em Congonhas (SP), dois em Sorocaba, interior de São Paulo, dois no aeroporto Santos Dumont e um em Brasília), além de dois helipontos em São Caetano do Sul, no ABC, e Alphaville, na Grande São Paulo. Para 2017, a expectativa de faturamento já considerando as operações das duas empresas é de R$ 200 milhões (R$ 140 milhões da Global e R$ 60 milhões da CB Air).

— A Global traz uma grande complementação aos nossos serviços, porque cresceu fazendo gerenciamento de aeronaves de terceiros, fretamento e oferece uma diversificação de hangares em SP, RJ e Brasília — disse Michael Klein ao anunciar o negócio.

Klein lembrou que o Brasil não tem aeroportos comerciais em todas as cidades e o serviço de táxi aéreo complementa o transporte de passageiros. Com a compra, a CB Air passa a ter um leque maior de opções para oferecer a seus clientes e até mesmo outras empresas do setor. O empresário frisou que o Rio de Janeiro é um local relevante do ponto de vista do turismo e Brasília também é um destino importante.

O ex-controlador das Casas Bahia disse que a Global Aviation tem financiamentos com bancos para capital de giro e leasing de aeronaves. Ele disse que está sendo feita uma ‘due dilligence’ na empresa.

— Vamos levantar quais ativos da empresa vão permanecer e qual o valor real da dívida – afirmou.

Num mercado em que as companhias de aviação reduzem a oferta de rotas e vêm apresentando números ruins em seus balanços, as perspectivas de faturamento são positivas, de acordo com Klein, mesmo com a economia em recessão. Ele disse que o faturamento da empresa é crescente desde que ela foi fundada, ha quase três anos. No primeiro semestre de 2016, a CB Air faturou R$ 10 milhões. A Olimpíada ajudou a aquecer o mercado neste segundo semestre e a expectativa é que o faturamento chegue a R$ 20 milhões, o que levaria a um faturamento total da empresa este ano de R$ 30 milhões.

O empresário afirmou que uma grande quantidade de aeronaves saíram do país, porque não conseguiram renovar os contratos de leasing, ou foram vendidas aumentando o interesse de clientes industriais, ou redes de varejo, como farmácias, por uma frota nova que atenda localidades que não recebem voos comerciais. Ele disse que atualmente há pouco mais de 110 táxis aéreos homologados no país, que não apresentam um ‘faturamento grande’

MERCADO PODE CRESCER MAIS

Para o CEO da Global Aviation, Décio Galvão, o mercado de aviação executiva no Brasil ainda é pequeno e pode crescer mais.

— O mercado de aviação executiva ainda é pequeno no Brasil e precisa de investimentos e internacionalização — disse o CEO da Global Aviation, que destacou que as empresas atuarão separadamente até a aprovação da compra pelos órgãos reguladores. Ele disse que no terceiro trimestre do ano apresentou melhora em termos de faturamento, depois de um segundo trimestre pior do que o primeiro. A Global, que foi fundada 22 anos atrás e tem atualmente 228 funcionários, espera uma receita de R$ 128 milhões este ano.

— A expectativa é que com a definição na política, a economia volte a crescer e possamo ter um faturamento melhor – disse ele, observando que para a Global Aviation a Olimpíada ficou aquém da expectativa tanto no aeroporto Santos Dumont quanto no Tom Jobim.

Klein informou que a CB Air possui atualmente 12 aeronaves, entre eles o Citation Jet 3 e Gulfstrem G550, que custa cerca de US$ 40 milhões, e seis helicópteros. São 57 funcionários, um quadro bastante enxuto, afirmou o empresário. Ele disse que não tem interesse em entrar na aviação regional:

— Vamos trabalhar vendendo voos e não assentos – afirmou.

Desde a venda da Casas Bahia, em 2009, para o Grupo Pão de Açúcar, Klein vem se arriscando por novos negócios. Além da CB Air, negócio cujo investimento inicial foi de R$ 200 milhões, Michael Klein também aplicou R$ 8 milhões na CB Motors, empresa que reúne concessionárias Mercedes-Benz. Os Klein também atuam no ramo imobiliário. Possuem mais de 400 imóveis alugados para redes varejistas, bancos e concessionárias de carros, entre outros clientes. Os imóveis rendem cerca de R$ 400 milhões em alugueis, mas o empresário continua atuante e costuma repetir que ‘não quer viver de aluguel’.

Após vender o controle da Casas Bahia, a família Klein se arrependeu e tentou reconquistar o controle da empresa. Conseguiram renegociar os termos do negócio, mas não retomaram o controle. Acabaram ficando com 47,5% das ações da Via Varejo (empresa resultante da união entre Casas Bahia e Pão de Açúcar). Mais tarde, Klein vendeu 20% da Via Varejo e embolsou R$ 1,6 bilhão.

POR JOÃO SORIMA NETO